sábado, 10 de outubro de 2009

1964 - ?

Sábado de feriado, em São Paulo e com tempo frio. Aparentemente um dia normal, como tantos outros. Aparentemente. O programa era ir à Sala São Paulo comprar ingressos para a apresentação da Orquestra Bachiana Filarmônica, passar no Sebo do Messias e muito provavelmente sair para jantar. Mas não foi assim.
Ao lado da Sala São Paulo, na Estação Pinacoteca, foi (re)inaugurado o Memorial da Resistência, que tenta, através da preservação da memória, mostra para a população o que foram os anos sob o governo dos militares. O memorial foi inaugurado em 1999 e esteve em funcionamento até 2002, quando foi fechado e reaberto em 24 de janeiro deste ano que segue. Poucas são as pessoas que já visitaram o local o que pelo menos têm noção da existência dele. O motivo? falta incentivo e verba por parte do governo. O espaço não é amplo, mas o que eu tive a oportunidade de ver e ouvir não cabem em lugar nenhum.
O local funcionou durante o período da Ditadura Militar como uma das sedes do DEOPS; Durante a visita ao corredor onde os presos tomavam sol (sob a mira de um fuzil) pude ouvir o que um senhor tinha a dizer sobre seus 37 dias de prisão. Visitando uma cela reconstruída, pude ouvir o que um senhor que ficou preso por 9 anos e um outro homem, mais jovem, que com 9 anos fora torturado tinham a dizer. Ao som de Geraldo Vandré, foi impóssível conter as lágrimas.
O que eu vivi, vi e ouvi hoje, não há caracteres infinitos que possam acomodar.
Fica aqui um desabafo e uma lição.

2 comentários:

  1. outro dia eu fiquei pensando sobre a ditadura, seu tivesse 18 anos em 1968 será que eu seria uma guerrilheira da liberdade ou alguém da classe média conformada com a ditadura e iludida com o "milagre" (como aliás foram todos da minha família)? provavelmente eu seria do segundo tipo, teria medo de morrer sabe...acho que é por isso que ao ouvir sobre pessoas que suportaram os piores tipos de tortura, por uma luta tão digna, eu fico arrepiada.
    Sabe Ná com um desabafo tão bem escrito como esse, e sobre uma coisa dessas fico com a obrigação de visitar esse lugar também.

    ResponderExcluir
  2. Eu fui ao memorial!

    E nós montamos uma peça sobre o ano de 1968. Sabe de uma coisa, a gente não consegue nem imaginar como é viver, assim, reprimido. O pior é nem se percebe quando começa a repressão.

    CUIDADO!

    ResponderExcluir