segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

meus pais, meus heróis

Quando somos crianças, nosso pais são nossos heróis. Sabemos que não podem voar, nem ao menos ficar invisivéis, mas mesmo assim são nossos heróis. Não há o que temer, nosso pais podem tudo, conseguem tudo.
É o zíper que não sobe, o cadarço que não amarra, a conta que não dá certo, o brinco que não entra na orelha, o brinquedo que não cabe no armário, a comida que não fica boa, a água que não esquenta, o chuveiro que não liga, a lâmpada que não acende, o botão que não se fecha, o cabelo que não se ajeita, a fome que não passa, o lixo que não se tem onde jogar, as pernas que se cansam, os olhos que não param mais abertos, o desconforto que não passa...absolutamente nada parece ser impossível aos nossos heróis sem capa e sem filme.
É chegada a hora em que nós nos transformamos em nossos próprios heróis. Percebemos que por mais que haja paciência e vontade, nosso pais não podem tudo. A partir daí, existem dois caminhos. A frustração ou a verdadeira admiração. Frustrar-se é para os que pensam que nem um mundo como esse, heróis existem. Admirar-se é para aqueles que encontram na tarefa de educar uma pessoa uma verdadeira tarefa heróica, mesmo que fracassada.