segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

meus pais, meus heróis

Quando somos crianças, nosso pais são nossos heróis. Sabemos que não podem voar, nem ao menos ficar invisivéis, mas mesmo assim são nossos heróis. Não há o que temer, nosso pais podem tudo, conseguem tudo.
É o zíper que não sobe, o cadarço que não amarra, a conta que não dá certo, o brinco que não entra na orelha, o brinquedo que não cabe no armário, a comida que não fica boa, a água que não esquenta, o chuveiro que não liga, a lâmpada que não acende, o botão que não se fecha, o cabelo que não se ajeita, a fome que não passa, o lixo que não se tem onde jogar, as pernas que se cansam, os olhos que não param mais abertos, o desconforto que não passa...absolutamente nada parece ser impossível aos nossos heróis sem capa e sem filme.
É chegada a hora em que nós nos transformamos em nossos próprios heróis. Percebemos que por mais que haja paciência e vontade, nosso pais não podem tudo. A partir daí, existem dois caminhos. A frustração ou a verdadeira admiração. Frustrar-se é para os que pensam que nem um mundo como esse, heróis existem. Admirar-se é para aqueles que encontram na tarefa de educar uma pessoa uma verdadeira tarefa heróica, mesmo que fracassada.

sábado, 10 de outubro de 2009

1964 - ?

Sábado de feriado, em São Paulo e com tempo frio. Aparentemente um dia normal, como tantos outros. Aparentemente. O programa era ir à Sala São Paulo comprar ingressos para a apresentação da Orquestra Bachiana Filarmônica, passar no Sebo do Messias e muito provavelmente sair para jantar. Mas não foi assim.
Ao lado da Sala São Paulo, na Estação Pinacoteca, foi (re)inaugurado o Memorial da Resistência, que tenta, através da preservação da memória, mostra para a população o que foram os anos sob o governo dos militares. O memorial foi inaugurado em 1999 e esteve em funcionamento até 2002, quando foi fechado e reaberto em 24 de janeiro deste ano que segue. Poucas são as pessoas que já visitaram o local o que pelo menos têm noção da existência dele. O motivo? falta incentivo e verba por parte do governo. O espaço não é amplo, mas o que eu tive a oportunidade de ver e ouvir não cabem em lugar nenhum.
O local funcionou durante o período da Ditadura Militar como uma das sedes do DEOPS; Durante a visita ao corredor onde os presos tomavam sol (sob a mira de um fuzil) pude ouvir o que um senhor tinha a dizer sobre seus 37 dias de prisão. Visitando uma cela reconstruída, pude ouvir o que um senhor que ficou preso por 9 anos e um outro homem, mais jovem, que com 9 anos fora torturado tinham a dizer. Ao som de Geraldo Vandré, foi impóssível conter as lágrimas.
O que eu vivi, vi e ouvi hoje, não há caracteres infinitos que possam acomodar.
Fica aqui um desabafo e uma lição.

sábado, 8 de agosto de 2009

O PRECONCEITUOSO SOU EU

A função social do preconceito, segundo Jaime Pinsky, é colocar o objeto dele em posição de inferioridade. Isso é um problema. A quem pertence o juízo a respeito da capacidade das pessoas se não à elas mesmas? O preconceito nasce do confronto entre as diferenças. Numa sociedade padronizada, o diferente não é visto como uma possibilidade de aprendizagem, mas como um mal que precisa ser combatido e transformado.
A grande maioria das pessoas não consegue perceber que faz parte do sistema e afirma ser singular, nos mais diversos modos, entre eles, o de pensar. Essa mesma maioria diz ter opiniões formadas sobre os assuntos; opiniões que jamais serão modificadas e estão prontas para serem exteriorizadas a qualquer momento.
Uma pesquisa feita recentemente no Brasil apontou que mais de 90% da população brasileira afirma que existe preconceito, mas, praticamente nenhuma das pessoas consultadas se considera preconceituosa. A explicação é que preconceito é crime, tendo o infrator que lidar com multa ou até mesmo com a prisão, e, demonstar preconceitos travestidos de opiniões passa a não ser uma atitude das mais racionais.
Não há como negar que todos somos preconceituosos. Se 90% da população acredita que vivemos numa sociedade preconceituosa, mas quase ninguém assume contribuir com a estatística, sem dúvida, além do preconceito, existe também o ocultamento das "opiniões", pois é o pensamento que leva ao preconceito em ação.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

À ESPERA DOS ÁUREOS TEMPOS

A tecnologia avança à medida que progredimos, ou seja, somos nós os responsáveis pelos rumos tomados, tanto para o bem quanto para o mal. Criamos o poder para usufruirmos dele, mas o que vemos é que, cada vez mais, estamos submetidos a ele, acabando com o limite entre criador e criação. A grande problemática do assunto em questão é que somos capazes de fazer avançar, mas não conseguimos criar limites para esses avanços.
O ser humano, de maneira geral, demonstra grande interesse pela vida alheia, vide o crescente número de reality shows, com os mais variados temas, mas sempre buscando explorar ao máximo a intimidade de cada um e suas reações perante as tão diversas situações, e, na grande maioria das vezes, adversas.
O homem do século XXI acredita na fantasia de que vive num mundo guiado pelo liberalismo onde cada indivíduo é o único responsável por suas ações. Se pensarmos na palavra liberalismo do ponto de vista político e social, vamos verificar que uma sociedade liberal é uma sociedade individualista, em que as pessoas buscam satisfazer suas próprias vontades. Mas, não se pode configurar uma sociedade individualista, se toda nossa soberania de escolha está submetida á tecnologia. Logo, não há privacidade, tampouco liberdade.
Todo avanço da tecnologia pode ser útil. Localizar pessoas perdidas desde que submetidas às novas ferramentas, é um bom exemplo, se as funções de tal avanço estivessem concentradas somente nas mãos de pessoas certas, de pessoas éticas. O problema é que a ética humana está no plano abstrato. O que é e o que não é ético deixou de ser senso comum há muito tempo, desde que uns começaram a se beneficiar e, supostamente, tornaram-se melhores que os outros. Além disso, perdemos a capacidade de julgar quem são as pessoas certas para lidar com a tecnologia a favor da sociedade como um todo.
Somos todos escravos e, como bons escravos que somos, nos resta abaixar a cabeça e cumprir as ordens da nosso senhor, até alguém se mostra disposto a assinar a Nossa Lei Áurea. Ou não. Podemos nós mesmos juntar recursos para garantir nossa própria libertação. Trata-se de um ciclo; antes o senhor era o fazendeiro, hoje, é a senhora tecnologia.

SOB O MESMO SOL

Há muito tempo eu tenho vontade de criar um blog. Pra pôr pra fora o que eu penso e muitas vezes não sei reproduzir por meio de palavras faladas. Há pouco tempo comecei a usar o twitter e percebi que ele poderia servir para coisas relativamente úteis. Há algumas horas, li uma reportagem em um jornal que me fez querer compartilhar com outras pessoas o que li, mas nos posts do twitter cabem pouca coisa. Então resolvi, finalmente, começar um blog.
A reportagem em questão saiu no caderno folhateen do jornal Folha de São Paulo e fala sobre uma escola na África que protege crianças albinas e deficientes contra assassinatos. A explicação para a perseguição é que, no país, o cadáver de um albino pode chegar a valer cerca de R$ 7.600. Isso porque, segundo a reportagem, sangue, pés, mãos, cabelos e genitais de albinos são usados em poções mágicas que trazem sorte, reza uma lenda antiga.
Peter Ash é membro da ONG Under The Same Sun, que luta contra a prática relatada. Segundo ele, para ajudar de longe, há uma petição que visa pressionar o governo local. Para assinar: www.underthesamesun.com , em Petition.